Comprar de uma vez ou jogar com anúncios: as contas de um ano
Cinco horas de Brain Test renderam 47 anúncios em vídeo, o equivalente a vinte e três minutos de ecrã a ver outra coisa. O Monument Valley, comprado uma vez na loja, rendeu zero. É esta a conta que raramente se faz antes de instalar.
O que contámos
Jogámos cinco horas em cada título, distribuídas por duas semanas e sempre com ligação Wi-Fi, que é a condição em que os anúncios carregam mais depressa e portanto aparecem mais. Contámos cada vídeo apresentado, o tempo até ser possível fechá-lo e o tempo de espera imposto por sistemas de vidas. Não recusámos anúncios opcionais quando davam alguma vantagem, porque é isso que a maioria das pessoas faz.
| Jogo | Anúncios vistos | Tempo em anúncios | Espera imposta |
|---|---|---|---|
| Brain Test | 47 | 23 min | Nenhuma |
| Two Dots | 18 | 9 min | 30 min por conjunto de vidas |
| Sudoku | 22 | 11 min | Nenhuma |
| Alto's Odyssey | 14 | 7 min | Nenhuma |
| Monument Valley | 0 | 0 min | Nenhuma |
Contagem própria em cinco horas por jogo, com Wi-Fi ligado. Os números variam com a região, com a hora e com o histórico de publicidade do aparelho.
O tempo também é preço
Vinte e três minutos em cinco horas dão sete por cento da sessão a ver publicidade. Numa utilização diária de vinte minutos, isso equivale a perto de meia hora por mês, todos os meses, sem contar com a atenção que custa voltar ao enigma depois de um vídeo de um jogo diferente.
O sistema de vidas do Two Dots funciona ao contrário: não ocupa tempo, retira-o. Ao quinto falhanço num nível difícil, a alternativa é esperar meia hora ou ver um anúncio, e quem estava concentrado perde o fio de qualquer maneira.
O que custa dinheiro sem parecer
As assinaturas mensais são o ponto onde os gratuitos ficam caros. O Sudoku oferece uma versão sem publicidade por assinatura renovável, e a renovação é automática por defeito. Uma subscrição esquecida durante um ano custa várias vezes o preço de um jogo comprado à cabeça, e não deixa nada quando é cancelada.
Nas compras avulsas, o padrão é o mesmo em todos: pacotes de pistas ou de moeda interna a preços que crescem por escalão. São compras pequenas, e o problema não é uma delas — é a soma ao fim de doze meses, que raramente alguém consulta no histórico da conta Google.
Há ainda a oferta de boas-vindas, que aparece nos primeiros dias com desconto e cronómetro. É o momento em que menos informação se tem sobre o jogo e aquele em que a compra é mais empurrada, o que explica o desconto. Esperar uma semana antes de decidir custa pouco: a oferta reaparece, com outro nome, mais vezes ao longo do ano.
Quando compensa pagar à cabeça
Se joga todos os dias, um jogo pago sem publicidade paga-se em semanas apenas em tempo poupado. Se joga uma vez por mês, o gratuito com anúncios é a escolha racional: não faz sentido comprar o que fica esquecido no ecrã.
Há um caso intermédio que vale a pena considerar: comprar a remoção de publicidade dentro de um jogo gratuito que já se sabe que se gosta, passado um mês de utilização. É a única compra dentro de aplicação que não deixa arrependimento no nosso histórico.
Antes de instalar
Abra a ficha da loja e leia a secção de compras dentro da aplicação, que mostra o intervalo de preços praticado. Se aparecer um valor mensal recorrente, saiba que a versão gratuita foi desenhada para o empurrar nessa direção.
Para perceber quais destes jogos acabam mesmo, leia aventuras que acabam. Se as suas contagens de anúncios forem diferentes das nossas, escreva para [email protected].